Participação no Lançamento da Campanha do Dia de Combate ao Trabalho Infantil

 

Apresentações de crianças e adolescentes marcaram o lançamento da campanha junto com autoridades e redes de proteção infantojuvenil

Gabriela e WllingtonA campanha foi lançada nesta terça-feira (12) no auditório do Ministério da Justiça com a apresentação da adolescente Gabriela Emily de Souza (14 anos) e Wellington Viana (10 anos, do Coletivo da Cidade, instituição que desenvolve atividades com crianças e adolescentes na Estrutural, em Brasília. No lançamento da campanha, cujo tema este ano é “Vamos acabar com o trabalho infantil – Em defesa dos direitos humanos e da justiça social”, dados do IBGE relativos ao trabalho infantil no Brasil foram apresentados pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, ao que se seguiu a fala de autoridades e integrantes do FNPETI.

A ministra Maria do Rosário, da Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República marcou presença e afirmou que o crescimento econômico do Brasil só pode existir sob o marco de um desenvolvimento mais amplo, “nós temos o desafio de extinguir a exploração do trabalho infantil no país”, afirmou.
A secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), Isa Oliveira, afirmou que a diminuição de 13% no trabalho de crianças e adolescentes entre 10 e 17 durante uma década é pouco expressiva.  “Mantendo esse ritmo de redução o Brasil não alcançará a meta de eliminar as piores formas de trabalho infantil até 2016”, conclui.

“O trabalho infantil é quase permitido pela sociedade quando falamos de crianças de baixa renda. É como se a sociedade dissesse: “é melhor estar trabalhando do que estar no crime ou na droga’. Como se a criança de baixa renda tivesse apenas essas duas opções, o trabalho ou o crime, como se ela tivesse nascido sem o direito de ser criança”, afirma a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente.
Na entrada do auditório ficaram expostos cartazes com desenhos de crianças e adolescentes da Estrutural que participam das atividades do Centro de Convivência, da Associação Viver e do Coletivo da Cidade, espaços onde as crianças participam de atividades culturais, de lazer e esportivas na Estrutural, em Brasília.
No mesmo dia, à tarde, e no dia seguinte pela manhã, foi realizado no Parque da Cidade o “II FestAr – Criança que Brinca não Trabalha”, onde as crianças e adolescentes participaram de oficinas de pipa e cata-vento e troca de brinquedos, cujo objetivo é chamar a atenção da sociedade para a proteção dos direitos da criança e do adolescente, por meio do resgate de brincadeiras populares.
A campanha é coordenada pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) em parceria com os Fóruns Estaduais, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fundos das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Ministério Público do Trabalho, Conselho Nacional do Ministério Público, Ministério do Trabalho, Ministério do Desenvolvimento Social, Secretaria dos Direitos Humanos/PR, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (SEDEST) do Distrito Federal, Plenarinho da Câmara dos Deputados e Fundação Telefônica.

Sobre o dia 12 de junho

Em resposta a essa situação de trabalho infantil no Brasil e no mundo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), desde 2002, com o intuito de chamar a atenção da sociedade e dos governos para o grave problema do trabalho infantil, incentiva à realização de mobilizações no dia 12 de Junho – Dia de Combate ao Trabalho Infantil – instituído pela organização.
Ao longo dos últimos anos, a data tem ganhado importância e o reconhecimento da sociedade brasileira. Constitui-se, portanto, como um momento de sensibilização, mobilização e potencialização dos esforços empreendidos no combate e prevenção do trabalho infantil no Brasil.

Fotógrafo: Edson Gês, SEDEST

http://www.fnpeti.org.br/destaque/criancas-e-adolescentes-protagonizaram-o-lancamento-da-campanha-do-dia-contra-o-trabalho-infantil-em-brasilia

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Teimosa, bonita e feliz; assim é a Estrutural

As percussionistas do Batalá vestiram-se a rigor para apresentação nas ruas da Estrutural

As percussionistas do Batalá vestiram-se a rigor para apresentação nas ruas da Estrutural (Zuleika de Souza/CB/D.A Press )

Não somente o asfalto, os meios-fios, as praças e as palmeiras estão chegando à Vila Estrutural. A cidadania se aproxima do lugar de menor renda per capita de Brasília, R$ 325. No sábado passado, o Batalá levou seus tambores e suas meninas à Estrutural para convocar as garotas a participar das oficinas de percussão do Coletivo da Cidade, entidade que reúne estudantes da Universidade de Brasília, profissionais de assistência e educação e voluntários com o objetivo de oferecer a crianças e adolescentes a chance de transformar as próprias vidas e a de suas famílias.

Murilo foi buscar os enteados Maicon e Maira na escola de bicileta

Murilo foi buscar os enteados Maicon e Maira na escola de bicileta (Zuleika de Souza/CB/D.A Press )

A cidade do lixão é também a cidade das bicicletas. Quase metade da população, 44%, têm bike, segundo a Pdad (Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio), feita pela Codeplan no primeiro semestre deste ano. Mas a turma do Coletivo acredita que esse percentual seja ainda maior, levando-se em conta que a pesquisa percorre casas onde haja conta de água ou de luz. A bicicleta é o meio de transporte para circular dentro da cidade e fora dela. Diante dessa realidade, Tiago Rocha, estudante que participa do Coletivo, está preparando um curso de mecânica de bicicleta e pretende desenvolver um projeto de bicicleta comunitária, inspirado no Bicicleta Livre da UnB.

O teatro também está na Estrutural. É lá que moram os quatro atores de Seca, a peça que estará em cartaz na Sala Martins Pena, do Teatro Nacional, na sexta e no sábado próximos. Tuan Emanuell, Iury Pereira, Wanderson de Sousa e Bia Oliveira eram estudantes do Centro Educacional I do Cruzeiro Velho, quando começavam a participar do premiado projeto do professor Getúlio Cruz. Os três atores já são estudantes de artes cênicas da UnB e a menina estuda na Faculdade Dulcina.
A cidade que existe de teimosa, que resistiu com barricadas à tentativa de expulsão, tem um cotidiano de moças e rapazes a caminho da academia, com suas garrafinhas d’água de última geração, meninas sem medo e garotos procurando um futuro. Gente otimista como o maranhense Omek Carvalho Silva, de 61 anos, que desfila pela cidade com sua bicicleta flamenguista, todo ele, roupa, correntes e anéis rubro-negros. “É meu jeito de me distrair. E assim vou vivendo, um dia alegre, outro com raiva. Um dia xingando, outro sendo xingado. Depois dos 60, o que vier é lucro”, ele diz, somando, dia após dia, o ganho do seu viver.
A Estrutural está rebocando suas paredes, subindo mais um andar, e protegendo sua história. Na sede do Ponto de Memória da cidade (www.memoriaestrutural.blogspot.com), pneus amontoados sobre uma pista estilizada relembram os tempos de luta para fixar a cidade. Fixada, ela vai ficando bonita e feliz.

Por Conceição Freitas Publicação: 16/08/2011 08:55 Atualização: 16/08/2011 09:59

Fonte: Site do Correio Braziliense em 16/08/2011